2012

A Freak Show for S.  #  Annabel Guérédrat (Martinica) 

CAIXA 1, 2 e 3 de novembro, quinta, sexta e sábado, 19h

“A Freak Show for S. é para a Vênus Negra Sarah Baartman. Trata-se de um solo sobre o corpo da mulher negra, exposto sob um viés político e não apenas sexual: é uma afirmação ética e, ao mesmo tempo, um corpo em revolta. Escrevi um texto que serviu de base para o solo e procurei transformá-lo em ação. E não importa se é dança, voz, teatro ou ritual: é isso tudo em uma investida performática cheia de energia. E isso é o mais importante para mim.” A.G.

Annabel Guérédrat, intérprete e diretora artística da Cia. Artincidence, fundada em 2003, é uma verdadeira globetrotter envolvida em numerosos projetos artísticos, festivais, companhias e colaborações internacionais. Especialista em dança butoh e técnica release, Annabel também foi professora universitária de literatura e história. Além de circular com o solo “A Freak Show for S.” e o duo “I am Tara”, com o artista chadiano Hyacinthe Tobio, atualmente prepara um novo trabalho sobre o feminismo negro com mulheres do Brasil, da Martinica e da Costa do Marfim.

This is Concrete  #  Jefta van Dinther (Estocolmo/Amsterdã) e Thiago Granato (São Paulo/Berlim) 

OLIDO 1 e 2 de novembro, quinta e sexta, 21h

THIS IS CONCRETE é uma travessia lenta. Os corpos de dois homens se embrenham um no outro incessantemente, borrando seus limites. Imersos em um ambiente sonoro de batidas estonteantes e sombras giratórias, a viagem dos artistas é longa, entorpecida e sexual. Movimentos devêm palavras quando as vozes dos homens começam a falar de seus corpos. Na fusão corporal e social gerada entre eles, o trajeto se transforma gradativamente em prazer, a fala em comida, o sexo em dança e a simbiose em parasitose. THIS IS CONCRETE se aventura na encenação de algo íntimo, fazendo do volátil a matéria-prima para sua composição e convida o público a passar o tempo com algo incerto e contagiantemente lento. 

Jefta van Dinther é um coreógrafo e dançarino que trabalha em Amsterdã, Estocolmo e Berlim. É o criador dos trabalhos Grind (2011), The Blanket Dance (2011), Kneeding (2010), It’s in the air (2009) e The Way Things Go (2009). Jefta ensina coreografia e recentemente foi nomeado Diretor Artístico do programa de Mestrado em Coreografia na Universidade de Dança e Circo em Estocolmo. /// Thiago Granato é um artista de dança brasileiro que vive e trabalha no Brasil, na França e na Alemanha. Colaborou com coreógrafos como Simone Mello, Lia Rodrigues, Adriana Grechi, João Saldanha, Cristina Moura, Cristian Duarte, Thelma Bonavita, Mathilde Monnier, entre outros. É o criador dos trabalhos Plano b (2008), We are not superficial, we love penetration (2008), Tombo (2009) e Basement (2011).

You Must # Fernando Belfiore (São Paulo/Amsterdã) 

OLIDO 3 e 4 de novembro, sábado, 21h e domingo, 19h30 

No solo “You Must” a coreografia é concebida como um artesanato cênico que aciona um exercício de percepção e imaginação. Com o uso da voz, o performer cria uma colagem destacando a materialidade do corpo e da cena a fim de estimular a produção de sentidos. Como transcender os limites e deveres estabelecidos? “You must” propõe um universo de intensidade e fragilidade.

Fernando Belfiore é coreógrafo e performer formado pela EAD/São Paulo e SNDO/Amsterdã. Trabalhou com Deborah Hay, Jeremy Wade, Ann Liv Young e Ibrahim Quraishi e apresentou suas próprias performances em diversos países da Europa e no Brasil. Seu trabalho de graduação “The Miserable Thing” foi indicado para o ITs Festival Choreography Awards e ganhou o prêmio de melhor direção no Festival ACT na Espanha em 2012. Atualmente é coreógrafo residente na fundação Dansmakers em Amsterdã.

Chamando ela sem eles  #  Sheila Ribeiro (São Paulo/Web)

 OLIDO 4 de novembro, domingo, 18h 

É um jeito através da potência e do perigo / um hub de delícias / para um mundo que a gente não sabe mais o que é. /// CHAMANDO ELA é uma cia de conceitos no encontro bombástico de Sheila Ribeiro, Tiago Lima e João Milet Meirelles. /// moda – dança – arquitetura – tecnologia – e… ///

Sheila Ribeiro é uma artista que gosta de cruzar beleza e pesquisa (sua e dos outros). Interessada pelas dinâmicas da comunicação contemporânea, passa pela dança, novas mídias, cinema, moda e cultura psiquiátrica, poetizando tensões estético-políticas em trabalhos de palco, instalações, audiovisuais, escrita e web. Desde 1992, dona orpheline é sua zona de colaboração. /// Tiago Lima, fotógrafo baiano, produz imagens que dialogam com moda, comportamento, performance e publicidade. /// João Milet Meirelles é músico e fotógrafo.

O.  # Elisabete Finger (Curitiba/Berlim) 

OLIDO 8 e 9 de novembro, quinta e sexta, 21h 

O. é um círculo, um buraco. O. são possibilidades precárias de ser e pertencer, de funcionar e exceder, de atravessar, ferir, furar, vazar, dissolver, fundir e continuar. O. é o que eu não vejo, mas você vê. É uma monstruosa imagem-movimento ou uma aventura sem cabeça. /// O. é o último trabalho da série ‘estudos para monstro’ (2010-2012) – composições possíveis para o mesmo grupo de elementos: dois pedaços de pele de bicho, um ovo, uma flecha, um buraco, coca-cola, alguma coisa vermelha, alguma coisa peluda, alguma coisa girando, alguma coisa voando, alguma coisa morrendo. 

Elisabete Finger passou pela Casa Hoffmann (Curitiba), integrou a formação Essais (CNDC d’Angers – FR) e concluiu recentemente o MA SODA (Solo/Dance/Authorship – HZT/UdK Berlin). Desde “Amarelo (performance de 2007) desenvolve trabalhos que perseguem uma ‘lógica de sensações’ e se ocupam de um ‘erotismo da matéria’: um corpo-matéria em colisão-fusão-continuidade com outras matérias. Faz parte do Couve-Flor Minicomunidade Artística Mundial. Mora e trabalha entre Curitiba e Berlim.

Maneries # Luis Garay (Bogotá/Buenos Aires) 

CCBB, 10 e 11 de novembro, sábado, 19h30 e domingo, 18h 

Chegamos ao ponto em que falamos da linguagem, do signo e da palavra. E esta se esvaiu. A linguagem está descolada de nós. Estamos falando da própria imagem ou é a imagem que está nos dizendo algo? MANERIES [de manare, maneira, manancial, surgimento] trabalha o corpo como material linguístico. Apropriando-se de signos icônicos, motivados e arbitrários, a performer constrói e empreende uma série de testes sobre os limites de suas capacidades formais. MANERIES não se refere a algo universal, (o corpo), nem ao particular, (Florencia), abraça os dois, como em um exemplo.

Luis Garay, nascido em Bogotá em 1981, estudou na França (Mulhouse CND), na Finlândia (Lyseon Lukkio) e em Buenos Aires (Teatro San Martín). Desde muito cedo (com mais de onze trabalhos site-specific em sua trajetória), Garay propõe um trabalho formal detalhado, entrelaçado a uma reflexão filosófica, que o popularizou como um criador contundente e fortemente ligado às mudanças da cena contemporânea. Recentemente apresentou seus trabalhos na Espanha, Alemanha, Portugal, Brasil, Venezuela, Uruguai, olívia e nos Estados Unidos, onde recebeu excelentes críticas do New York Times.

Prêt-à-porter de Vísceras II  #  Marcelo Gabriel (Belo Horizonte) 

OLIDO 10 e 11 de novembro, sábado, 21h e domingo, 19h30 

Prêt-à-porter de Vísceras II retoma a discussão iniciada na primeira parte do trabalho apresentada em 1996, questionando a posição dos livres pensadores diante da pressão da sociedade contemporânea. Aferindo o estado de anestesia estético social que impede a democratização e a fertilização de novos processos e ideias, a obra é um libelo a favor da liberdade de expressão e autonomia em uma estrutura imatura. 

Marcelo Gabriel é criador, diretor, ator, dançarino e escritor. Duas vezes premiado pela APCA (1995 e 1996), fundou a Cia. de Dança Burra em 1997. Realiza uma dança de resistência por meio do teatro físico o qual se baseia em depoimento pessoal e intransferível. A revista alemã Tanz Aktuell o definiu como “um dos mais contundentes representantes da cena brasileira de dança”.

Piranha # Wagner Schwartz (Volta Redonda/Paris)

 CCBB, 14 e 15 de novembro, quarta e quinta, 19h30 

Piranha é a metáfora de um corpo em reclusão. Ele se agita nevralgicamente, entre uma dinâmica voluntária e involuntária, sitiado por uma composição de ruídos digitais. O fluxo de movimento que se enreda sob um feixe de luz desdobra, em seu próprio corpo e no espaço cênico, as variações sutis de uma rave, de uma guerra, de uma possessão, de um susto, de uma morte. 

Coreógrafo, performer, linguista, Wagner Schwartz explora os efeitos da migração em suas performances. Seus projetos têm sido estudados em publicações dentro e fora do Brasil, como no livro “O fazer‐dizer do corpo: dança e performatividade”, de Jussara Sobreira Setenta, ou Am Rand der Körper: Inventuren des Unabgeschlossenen im zeitgenössischen Tanz (“À borda do corpo: inventários da dança contemporânea inacabada”), de Susanne Foellmer. É diretor artístico do encontro Olhares Sobre o Corpo.

Robert and Maria  #  Maria Hassabi (Nicósia-Chipre/Nova Iorque) e Robert Steijn (Amsterdã) 

CCBB, 16, 17 e 18 de novembro, sexta e sábado 19h30 e domingo 18h 

“Você dança dentro do meu peito, onde ninguém vê, mas às vezes eu faço, e este olhar faz a nossa dança.” /// Maria Hassabi está nos palcos desde a infância e Robert Steijn começou a dançar rituais aos quarenta e cinco anos. Neste primeiro dueto criado em parceria, eles se perguntam onde as diferenças externas encontram semelhanças internas enquanto selam um pacto de devoção incondicional.

Maria Hassabi, diretora, coreógrafa e artista performática radicada em Nova Iorque, foi laureada pela Foundation for Contemporary Arts em 2009, pela fundação Guggenheim em 2011 e pelo Lower Manhattan Cultural Council em 2012. Na última década criou oito espetáculos e oito performances curtas, colaborou com artistas de várias disciplinas e apresentou-se em teatros, galerias e museus nos Estados Unidos e na Europa. /// Robert Steijn começou como dramaturgo e crítico de dança. Em 2002 criou sua primeira obra de dança e fundou, com Frans Poelstra, a companhia United Sorry, sediada em Amesterdã e em Viena. Juntos, eles trabalham para teatros e galerias, e desenvolvem rituais em que o público pode participar. Robert ainda trabalha com Anne Teresa de Keersemaeker, Latifa Labiissi, Georg Blaschke e escreve e dirige peças teatrais no Theater der Jungen Welt em Leipzig e Theater im Bahnhof em Graz.

Árvores # Clarice Lima (Fortaleza/São Paulo) 

CAIXA 17 e 18 de novembro, sábado e domingo, 16h 

Árvores é um exercício do desejo de permanência, invertendo o espaço e questionando o tempo. Até quando o corpo aguenta? /// O trabalho surge como desejo de enraizamento na cidade, onde pessoas vestidas com o mesmo figurino habitam em espaços de passagem. Ali, contrapõem-se ao fluxo de movimento, permanecem de cabeça pra baixo até o corpo não aguentar mais e cair. /// Árvores interroga as maneiras possíveis para o corpo resistir, continuar, seguir em potência. 

Clarice Lima é cearense, Bacharel em dança pela Escola de Dança Moderna Amsterdamse Hogeschool voor de Kunsten – AHK, Holanda. Estudou com David Zambrano e trabalhou com Jan Fabre e Cristian Duarte. Estabelecida em São Paulo, busca parcerias e estratégias criativas para seguir produzindo seus trabalhos, entre eles: Eles Dançam Mal, Árvores e DPI Experimento Espetacular.

OFICINAS DE CRIAÇÃO 

“This is Concrete”
com Jefta van Dinther (Estocolmo/Berlim) e Thiago Granato (São
Paulo/ Berlim)
3 e 4 de novembro, das 14h às 17h30

Como gerar interesse por algo através do tempo dedicado à exploração da sua materialidade? Como transformar essa exploração em material coreográfico? Durante dois dias de trabalho, os coreógrafos Jefta van Dinther e Thiago Granato, usarão alguns princípios criativos da peça THIS IS CONCRETE como exemplos de como diferentes interesses podem se fundir para a construção de uma coreografia, dentro de um processo colaborativo.

Público: estudantes e profissionais de dança.

“Estudos para Mostro”
com Elisabete Finger (Curitiba/Berlim)
de 3 a 7 de novembro, das 14h às 18h

Nesta oficina, experiências de percepção de um corpo-matéria e suas possíveis relações com outras matérias são combinadas a atividades de improvisação, associação e composição. A partir delas vamos construir um roteiro ou uma ‘situação coreográfica’. Atravessar e reatravessar esta situação será um pretexto para explorar outras corporalidades, espaços e tempos, experimentando outras lógicas (menos racionais/conceptuais e mais corporais/materiais). Repetir, variar, gastar, esgotar até exceder. Até que algo outro se apresente: um acidente, um susto, uma imagem, um monstro.

Público: interessados em dança.

“Dramaturgia Corporal”
com Marcelo Gabriel (Belo Horizonte)
de 5 a 9 de novembro, das 14h às 20h

Investigando o impulso vital/primitivo, ancestral/básico de troca entre seres humanos, a oficina propõe uma revitalização da pulsão instintual e pré-interpretativa na comunicação, aplicada às artes cênicas, como força dramático/expressiva.

Público: interessados em dança. 

“Autorretratos em Relação”
com Annabel Guérédrat (Martinica)
5 e 6 de novembro, das 11h às 14h

Nesta oficina cada participante criará seu autorretrato instantâneo e experimentará relacionar-se com os outros a partir da coexistência dos princípios do Body Mind Centeringe da dança butoh. 

Público: estudantes, profissionais de dança, interessados em artes cênicas.

Local de realização: Centro de Dança Humberto Silva da Galeria Olido – Av. São João 473 – Centro.