2011

Cavalo # Michelle Moura (Curitiba)

CCBB – 1 e 2 de novembro, terça e quarta, 19h30

“Cavalo” é a ambiguidade de quem move quem, o cavalo que move o cavaleiro, o cavalo que é movido pelo cavaleiro. Através de alterações no padrão respiratório, projeções visuais e a deformação da voz, ela é levada a mover-se em um espaço de alucinações e revela um corpo matéria atravessado por energias e pulsações distintas. Ela tem  como meta abandonar por minutos a linguagem segura do dia a dia, ultrapassar a porta que dá acesso a realidades maleáveis e transitar entre a instabilidade de estados físicos e emocionais. Ela pode ser patética, decadente, histérica, no fim o que a move é uma falta. “Cavalo” é sombrio, (neo) expressionista, noise, hipnótico.

Michelle Moura é cofundadora e integrante do Couve-Flor Minicomunidade Artística Mundial, Curitiba. Teve suas primeiras experiências como criadora na Casa Hoffman, onde coorganizou o “Ciclo de Ações Performáticas”. Por três anos, colaborou com Dani Lima e Cia/RJ. Em 2009, integra o programa Essais, no Centre National de Danse Contemporaine Angers/FR. Desde 2010, trabalha como intérprete de “Souffles” de Vincent Dupont/FR.

Cornélia Boom # Sheila Arêas e Cristian Duarte (São Paulo)

CCBB – 1 e 2 de novembro, terça e quarta, 19h30

Sheila Arêas e Cristian Duarte foram buscar na artista plástica britânica Cornelia Parker inspiração para o espetáculo “Cornélia Boom”, selecionado para participar do 12º Cultura Inglesa Festival (2008). Arêas e Duarte incorporaram os procedimentos técnicos da artista plástica e os transferiram para a dança. “Cornélia Boom” apresenta uma dança ambivalente, explicitando a fisicalidade que antecede a escolha de uma ação.

Sheila Arêas é bailarina e coreógrafa, formada em dança pela Faculdade Paulista de Artes (1996). Foi cofundadora e colaboradora durante cinco anos da Cia Nova Dança 2, sob a direção de Adriana Grechi. Em 2006 recebeu o prêmio APCA por sua atuação no espetáculo “Médelei – Eu Sou Brasileiro (etc) e Não Existo Nunca” dirigido por Cristian Duarte. Desde 2006 desenvolve sua pesquisa com o núcleo Projeto DR, além de realizar intervenções de clown no projeto Doutores da Alegria desde 2004.

D A N Z A R E P O R T A J E : Ud. Preguntará Por Qué Bailamos # Ana Oliver e Natalia Burgueño (Montevidéu)

CCBB 3 e 4 de novembro, quinta e sexta, 19h30

“DANZAREPORTAJE: Ud. Preguntará Por Qué Bailamos” documenta, de maneira poética e subjetiva, um processo criativo que fala de: memórias atrofiadas, pequenas homenagens, desejos, fracassos, paixões e conflitos existenciais em relação à dança, à criação e à fragilidade do ser humano. A cena se cria em interferências e interjeições entre ficção e realidade.

Ana Oliver e Natalia Burgueño são artistas independentes que atuam como criadoras-intérpretes em projetos pessoais e de outros artistas. Desde 2007 trabalham em parceria no desenvolvimento de projetos de criação, produção e circulação em dança, tendo recebido vários prêmios. Em 2010, realizaram o projeto de pesquisa e escrita do roteiro coreográfico “Danzareportaje” (Prêmio Iberescena), dando origem a duas montagens atualmente em circulação.

Projeto P.A.R. (Programa para Artistas em Residência)

P.A.R. é um programa de imersão no FCD voltado para jovens artistas do Brasil e da América Latina. Os integrantes da residência participam das oficinas, acompanham a programação, apresentam seus trabalhos e participam de conversa pública com um orientador. O projeto tem início em 2011 com Ana Oliver, Carolina Guerra e Natalia Burgueño

Âataba # Taoufiq Izeddiou e Cia Anania (Marrakech)

OLIDO 3 e 4 de novembro, quinta e sexta, 21h

“Âataba” trata de limiares, espaços a serem atravessados. Izeddiou explorou novos locais no Marrocos destinados a festa, a liberação do corpo. Estes lugares são porões, subsolos da vida social, onde as relações entre as pessoas podem se afastar dos olhares. Os porões são lugares de encontro e também de solidão. As bailarinas em “Âataba” revisitam estados físicos que são inventados nestes subsolos. O corpo se torna um limiar, uma porta aberta para a mistura de hábitos, rituais, atitudes e músicas.

Anania é a primeira companhia de dança contemporânea de Marrakech. É uma equipe de artistas, bailarinos e coreógrafos que conduzem seus próprios projetos de criação e participam juntos na transformação da paisagem artística e cultural do Marrocos. Com o apoio de parceiros nacionais e internacionais, Anania realiza diversas ações voltadas à criação contemporânea: um programa orientado para a formação profissional chamado Almokhtabar, oficinas de sensibilização em escolas e o festival internacional de dança On Marche.

Aaleef # Taoufiq Izeddiou (Marrakech)

CCBB 5 e 6 de novembro, sábado, 19h30 e domingo, 18h

“Aaleef” quer dizer “eu me transformo”. Para Taoufiq Izeddiou a identidade permanece uma ferida aberta. “Estou furioso. Minha energia é louca, sábia, lenta, controlada, cansada, exausta, contida… Eu marroquino? Eu africano? Eu mediterrâneo? Eu árabe? Eu cidadão do mundo?”

Taoufiq Izeddiou praticou boxe, teatro e arquitetura antes de se dedicar à dança. Estudou dança contemporânea na África e na Europa. Em 2001, criou a primeira companhia de dança contemporânea do Marrocos, Anania. Taoufiq organiza em Marrakech a primeira formação em dança contemporânea Almokhtabar, e há sete anos o festival de dança On Marche em colaboração com a Cia Anania. Com oito peças em seu repertório, seus trabalhos já foram apresentados em diversos festivais, como o WMT na Holanda, Montpellier Danse e Rencontres Chorégraphiques Internationales de Seine-St-Denis na França.

Kneeding # Jefta van Dinther (Estocolmo /Amsterdã)

OLIDO 5 e 6 de novembro, sábado, 21h e domingo, 19h30

“Kneeding” explora as relações entre o que acontece dentro de um corpo e fora dele: como processos internos se manifestam externamente e como o exterior influencia o que está no interior. A realidade palpável da matéria – o corpo que dança e seus arredores táteis – é combinada com a realidade imaterial da imaginação. Desta maneira, “Kneeding” negocia entre fisicalidade e psicologia, entre “amassando” (kneading) e “necessitando” (needing). Com contínuo movimento de bombear, “Kneeding” trabalha os espaços interligados da mente e do corpo, sustentando um ambiente em constante mudança.

Jefta van Dinther é coreógrafo e dançarino. Entre outros trabalhos, realizou “The Blanket Dance” (2011) em colaboração com Frédéric Gies and DD Dorvillier. Em 2009 criou o quinteto “The Way Things Go” – uma escultura de causa e efeito em movimento lento. Com Mette Ingvartsen criou a performance “IT’S IN THE AIR”.

Dance for Nothing # Eszter Salamon (Budapeste/Berlim)

CCBB 8 e 9 de novembro, terça e quarta, 19h30

Em “Dance for Nothing”, Eszter Salamon recita a música de John Cage “Lecture on Nothing” (1949)* e, simultaneamente, dança com o objetivo de criar uma coreografia de movimentos justapostos à peça textual. A ideia de usar música feita por palavras e realizar uma ação paralela como outra temporalidade segue o desejo de interação com não-interferência. “A dança em ‘Dance for Nothing’ deve ser autônoma, e nunca se tornar uma ilustração ou um comentário sobre o texto.” (Eszter Salamon)

Eszter Salamon é coreógrafa, performer e bailarina. Depois de se formar em dança clássica em Budapeste trabalhou na França com vários coreógrafos, como Mathilde Monnier e François Verret. Começou a desenvolver as suas próprias criações em 2001. Seu trabalho tem sido amplamente apresentado na Europa e Ásia. Em 2009, Salamon criou “Transformers” com Christine De Smedt, um projeto de pesquisa realizado através de oficinas e residências artísticas em Bruxelas, Madri, PAF-St. Erme, Cidade do México, Viena, Tóquio e Estocolmo.

* música recitada em inglês sem tradução ao vivo.

Noiva Despedaçada # Ricardo Iazzetta (São Paulo)

CCBB 10 e 11 de novembro, quinta e sexta, 19h30

“Noiva Despedaçada” foi criado em 2009 durante o Projeto Artista da Casa 4ª Edição – TD.  “Noiva Despedaçada” foi criado em 2009 durante o Projeto Artista da Casa 4ª Edição – TD. “Revisitar este trabalho de vez em quando cria em mim a possibilidade de dar continuidade à reflexão que está contida nele, que acho que dialoga com a jornada do herói, que impulsionado por uma contingência, cruza um limite para retornar outro, e ainda assim aquele um, e nunca mais o mesmo…” (Ricardo Iazzetta)

Ricardo Iazzetta é dançarino e diretor, pesquisa os estados corporais e suas manifestações, relações entre dinâmicas internas e externas e seus diálogos no espaço tempo cênico. É formado na The Juilliard School of New York em 1994 e desde então se dedica ao aprendizado de técnicas orientais corporais como base de treinamento. Dirige em parceria com Key Sawao o núcleo Key Zetta e Cia.

Hot 100 – The Hot One Hundred Choreographers # Cristian Duarte (São Paulo)

OLIDO 10 e 11 de novembro, quinta e sexta, 21h

“Hot 100 – The Hot One Hundred Choreographers” toma como assunto e material coreográfico 100 trechos-obras de 100 coreógrafos, tratando a criação e performance como um dispositivo para se pensar em forma, criação, produção, autoria, excesso, contexto e resolução. “Hot 100” teve como ponto de partida o text-painting “The Hot One Hundred” do artista britânico Peter Davies. A dança-lista proposta por “Hot 100” não apresenta lugar fixo ou valoração por números e se dá pela manipulação, apropriação e mixagem dos conteúdos listados e através da série de et ceteras que ele suscita.

Cristian Duarte é bailarino e coreógrafo. Em 2002 graduou-se na P.A.R.T.S. (Bélgica), através da bolsa de estudos CAPES/ApARTES. Desde então tem realizado projetos e colaborado com artistas entre Brasil e Europa. Em parceria com Paz Rojo (Madri) facilita, coordena e produz o campo de trabalho “a piece… together?”

Quando O Sol Brilha Mais Forte a Sombra é Mais Escura # Marcelo Gabriel (Belo Horizonte)

CCBB 12 e 13 de novembro, sábado, 19h30 e domingo, 18h

O espetáculo versa sobre o retorno de ideologias fascistas no mundo moderno. Como este discurso está inserido na indústria da moda, na política e na linguagem contemporânea. Antigas ideologias totalitárias se desenvolveram e se legitimaram ao longo da história a favor de uma ordem e da evolução do pensamento humano baseada na escravidão. Hoje se propagam automaticamente através do discurso dos próprios oprimidos, como uma forma de legalização da barbárie quando vítimas e carrascos se confundem em suas posições e significados.

Marcelo Gabriel é criador, diretor, ator, dançarino, escritor e videomaker. Em 1987 fundou a Companhia de Dança Burra, por meio da qual busca realizar “uma dança de resistência, um teatro físico que se baseia num depoimento pessoal e intransferível”. A revista alemã Tanz Aktuell já o definiu como “um dos mais contundentes representantes da cena brasileira de dança”. A obra do artista se compõe essencialmente de solos.

Lo Que Sea Moviéndose Así # Paz Rojo (Madri)

OLIDO 12 e 13 de novembro, sábado, 21h e domingo, 19h30

“Lo que sea moviéndose así”, é dizer, um CORPO: […] uma traição. Vender-se ao seu inimigo. […] “Corpo” é o nome dos limites impostos. […] Este corpo é sempre o corpo dos outros. […] Um corpo que foge a sua linguagem, atrevo-me a suspeitar…

Paz Rojo é facilitadora e coordenadora da plataforma de criação “COREÓGRAFAS”, na qual investiga a ressemantização do espaço afetivo dentro do contexto do corpo-trabalho-marca. Prepara o solo “yes, we can-not” (demo-crazy is a psycho kinetic training); ensina o curso “Coreografia: um problema a praticar” em diversas instituições, universidades e centros de criação artística. Cofundadora, produtora e facilitadora da plataforma de trabalho coletivo “a piece…together?” junto ao coreógrafo brasileiro Cristian Duarte.

OFICINAS DE CRIAÇÃO – OLIDO

“DANÇA CONTEMPORÂNEA E RITUAL GNAWA” com Taoufiq Izeddiou e o músico Adil Amimi (Marrakech)

# 1 e 2 de novembro, das 15h às 19h

Oficina de dança contemporânea com foco em compartilhamento, criação e improvisação. Cada participante experimentará a sua própria dança a partir da técnica rítmica/gestual do transe, música e canto tradicional Gnawa do Marrocos.

“KNEEDING WORKSHOP” com Jefta Van Dinther (Estocolmo/Amsterdã)

# 3 e 4 de novembro, das 15h às 19h

Oficina a partir das práticas físicas do processo de criação de “Kneeding”. Ao empregar a atividade de amassar, como um motor para o movimento, os participantes irão explorar como afetar e condicionar o próprio corpo. Utilizando sensação, sentimento e imaginação o grupo criará um catálogo de práticas onde cada corpo é página central, onde cada um cria sentido a sua experiência.

“POSICIONAR / REPOSICIONAR-SE” com Michelle Moura (Curitiba)

# 3 a 7 de novembro, das 13h às 19h

Oficina de improvisação e composição explorando os excessos de estados emocionais e físicos. O trabalho tem como foco estratégias de reposicionamento, através de meditações ativas, ações simples e repetidas que servirão como ferramentas para mudanças de percepção e de consciência.

“CHOREOGRAPHIC PROBLEMS” com Eszter Salamon (Budapeste/Berlim)

# 4, 5 e 6 de novembro, das 15h às 19h

Eszter Salamon propõe um olhar sobre as diversas tecnologias do corpo, metodologias de trabalho e formatos que desenvolveu nos últimos 10 anos em seu trabalho artístico. Eszter irá também introduzir seus conceitos e abordagens coreográficas e, partilhar seu entendimento de coreografia como um meio que organiza diferentes mídias para criar performances.