A 7ª edição do FCD reúne em São Paulo artistas de diversos países comprometidos com a experimentação, a investigação e o questionamento dos limites artísticos, gerando trabalhos que incorporam vitalidade crítica e reflexão poética. São artistas que modulam nas intensidades dos seus corpos potências de vida e, expostos, compartilham riscos, dúvidas, curas, impossibilidades, dores, invenções e prazeres.

Nesta edição, além de promover a apresentação de Guintche, trabalho de Marlene Monteiro (Cabo Verde/Portugal), apostamos na volta de Ivo Dimchev (Bulgária/Áustria), que mostrará as performances Concerto e ICure, sua mais recente criação, e de Taoufiq Izeddiou (Marrocos) que, desta vez, virá com a sua Cie Anania para mostrar Rev’Illusion. O FDC investe no retorno destes artistas com o objetivo de proporcionar ao público que acompanha anualmente a programação do Festival a oportunidade de perceber as singularidades de suas trajetórias e de conferir a continuidade de pensamentos que se expandem, se consolidam e se revigoram ao longo do tempo.

Fomentando também o trabalho de criadores sul-americanos, o FCD promove a difusão de obras de jovens coreógrafos, não por isso menos potentes, como Luciana Chieregati (Brasil/Espanha), Cecilia Lisa Eliceche (Argentina/Bélgica), Santiago Turenne e Miguel Jaime (Uruguai).

Além das apresentações, o FCD viabiliza oficinas de criação propondo imersões nos processos e procedimentos criativos de alguns dos convidados que terão a possibilidade de permanecer mais tempo na cidade para experimentar uma partilha mais intensa de suas práticas. Nesta edição, as oficinas serão ministradas por Marlene Monteiro, Ivo Dimchev e Taoufiq Izeddiou.

Este ano, além de ocupar três teatros públicos no centro de São Paulo, o FCD expandirá sua programação para outras regiões da cidade levando apresentações para a cidade Tiradentes, na zona leste, e para o Sesc Santana, na zona norte da cidade. Os espetáculos serão oferecidos em curtas temporadas com entrada franca ou a preços populares contribuindo com o processo de democratização da arte contemporânea.

O FCD conta com o apoio de uma rede de colaboradores de diversos países interessados na experimentação e na criação de novos contextos para a dança. Agradecemos a esta rede informal que está sempre contribuindo com indicações e sugestões para o Festival.

A VII edição do Festival Contemporâneo de Dança de São Paulo tem o apoio do Governo do Estado de São Paulo – através do Programa de Ação Cultural 2013, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, SESC, do programa IBERESCENA – Fundo para as Artes Cênicas Ibero-americanas, além de diversas instituições internacionais de apoio à cultura.

Adriana Grechi e Amaury Cacciacarro Filho

 

 

GUINTCHE_credito_©joao figueira

Guintche
Marlene Monteiro (Cabo Verde/Portugal)
OLIDO 30 de outubro a 2 de novembro | quinta a sábado às 20h, domingo às 19h

“Esta peça surge a partir de uma figura que desenhei relembrando um concerto. Chamei-a de Guintche e ela cresceu, ganhou vida, autonomia, rebelou-se. O desenho gera figuras com vida própria, seres cujo destino é defraudar expectativas. Guintche é a vida intensa que se formou e se apartou do fundo informe original. Deixou de ser a prótese de um pensamento para se tornar uma dança.” M.M.

 

Concerto Ivo Dimchev 2 credit Kaaitheater bx

Concerto
Ivo Dimchev (Bulgária/Áustria)
CCSP 31 de outubro e 1 de novembro | sexta e sábado às 19h

No improvisado Concerto que, sem dúvida, exige extraordinária destreza física e virtuosismo, a voz de Ivo Dimchev viaja sutilmente entre os extremos dos afetos, sem romper em lágrimas nem em risos, permanecendo sempre em uma liminaridade poética. Transforma sua voz em uma fonte inesgotável de ressonância. Às vezes romântico, às vezes melancólico, às vezes techno, mas sempre poderoso, Dimchev cativa o seu público induzindo-o a se perguntar: “Ivo, quantos você pode ser?”.

 

Revillusion 1 credito On Marche

Rev´Illusion
Cie Anania (Marrocos)
CFCCT 1 e 2 de novembro | sábado e domingo às 19h
SESC SANTANA 8 e 9 de novembro | sábado às 21h, domingo às 18h

Rev´Illusion faz eco aos recentes levantes no outro lado do Atlântico. Gestos e movimentos poéticos tornam-se estratégias insolentes para ganhar a liberdade em meio à censura e à repressão. Dançar é uma necessidade essencial em um país cuja realidade muitas vezes é sombria. Daí a urgência que invade o palco e movimenta os corpos, alegres e conscientes, cúmplices e fortes, até a exaustão. Reivindicação, medo, cólera, poesia e ilusão são os motores desta celebração da dança.

 

Foto2-JorgeColin-SURTO bx

SURTO
Santiago Turenne e Miguel Jaime (Uruguai)
OLIDO 6 e 7 de novembro | quinta e sexta às 20h

Surto é uma ação contínua; um corpo sobre o outro; uma fúria; uma contemplação, suspensão e tranquilidade de uma imagem; é sexo; é golpe.

O duo é o resultado da apropriação, desdobramentos e fusão dos materiais trabalhados em três residências artísticas (em Portugal, México e Uruguai). Imersos na sensação de ocupar o tempo, existindo na singularidade de cada instante, os performers tecem uma dramaturgia de ações simples e concretas guiadas pelo desejo de renovar a cada dia os desafios do próprio fazer, na tentativa de que a obra se mantenha sempre viva e aberta a novos sentidos.

 

ICure Ivo credit Impulstanz Vienna bx

ICure
Ivo Dimchev (Bulgária/Áustria)
OLIDO 8 e 9 de novembro | sábado às 20h, domingo às 19h

Se a cura é uma escolha, então por que não fazê-la enquanto estamos no teatro? Por que desperdiçar mais uma hora tentando “aculturar-nos” quando podemos usá-la para sermos mais “saudáveis”? Esta performance é feita para curar não apenas as dificuldades físicas ou psicológicas pontuais que você possa vir a ter, mas tudo ao mesmo tempo. ICure pode curar aqueles que você ama, tudo depende da sua concentração no poder de cura do ICure. Não é uma terapia individual, ela foi concebida para curar a todos os espectadores ao mesmo tempo. Seu envolvimento no processo terá um impacto decisivo sobre a cura. Quanto mais considerar ICure como uma experiência cultural, menor será o seu efeito terapêutico. Não desperdice o seu tempo no teatro, aproveite-o!

 

Cows's theory_copyright Stanislav Dobak

Cow´s Theory
Cecilia Lisa Eliceche (Argentina/Bélgica)
OLIDO 13 a 16 de novembro | quinta a sábado às 20h, domingo às 19h

Cow’s theory é uma peça de dança nascida do desejo de fazer um intenso trabalho físico. No palco há três mulheres que estão sempre em conexão entre si. Cada uma delas tem uma identidade própria, distinta. Há semelhanças, claro, como no vestuário, que remete às roupas de trabalhadores. Mas, apesar da individualidade de cada performer, durante a apresentação, seus movimentos as unem em um ser comum, expressando um acordo ou uma tentativa de trabalhar e viver juntas.

 

GAG crédito Camila Tellez

*Gag
Luciana Chieregati (Brasil/Espanha)
FUNARTE 14 a 16 de novembro | sexta e sábado às 20h30, domingo às 19h30

*Gag é uma pergunta, uma tentativa de colocar um problema no palco, uma dificuldade em cena. É um convite que tem a ver com a atribuição de significado às coisas, neste caso, a de um corpo em movimento. Uma tentativa de gerar um território de impossibilidade de significar a partir do excesso de interpretação: esvaziamento, potência, tédio. Serão os significados uma construção ou serão eles inerentes à matéria que significa? O que ocorre na overdose de significados que interrompem uma lógica de relações de sobreposição entre o corpo e as palavras? Que corpo? Gag é uma pergunta sobre um corpo dançando no palco hoje, em 2014.

* termo que denota aquilo que se interpõe na fala impedindo a elocução de uma palavra e a improvisação do ator para preencher um vazio de memória ou uma impossibilidade de falar.

 

página 1

7×7 no Festival Contemporâneo de Dança
hackeando parasitando revelando outros dados sampleados
compartilhamento metodológico: 30 de outubro, das 18h às 20h, Galeria Olido

Se algum trabalho do FCD mobilizou você, venha manifestar no 7×7 sua percepção sobre o que viu. Escreva, fotografe, crie sua crítica como quiser e envie o material produzido para o 7×7: contato@seteporsete.net. Não deixe seus comentários em corredores ou mesas de bar!

O 7×7 “nasceu” em 2009, na segunda edição do FCD, e, desde então, vem cobrindo diversas apresentações, mostras, festivais e temporadas. O projeto surgiu do desejo de estimular as reverberações dos trabalhos, fomentar discussões, anestesiar as polaridades e valorizar a voz compartilhada e conectiva, fomentando e difundindo a produção de análises críticas e poéticas em distintos formatos (textos, imagens still ou audiovisuais). Na 7ª edição do FCD o 7×7 estará presente em ações esporádicas de ocupação, antes e depois dos espetáculos, iniciando as interlocuções com o público interessado em desenvolver sua manifestação poética sobre o que assistiu. Também produzirá suas próprias escritas poéticas, e ainda, num encontro aberto, compartilhará o método do projeto com o público interessado.

Publicado em Sem categoria