De 1 a 13 de novembro de 2011 realizou-se a quarta edição do Festival Contemporâneo de Dança, reunindo artistas de diversos países em São Paulo
A 4a edição do Festival Contemporâneo de Dança reniu em São Paulo artistas de diversos países que vivenciam a dança como uma experiência urgente, visceral e, por vezes, desestabilizadora. Experimentando múltiplas corporeidades e diversas maneiras de estar e de se relacionar com o outro, estes artistas lançam um olhar crítico sobre sua própria prática, questionam os padrões de representação a que estão habituados, e expandem nosso entendimento do que pode ser dança.
Desde sua primeira edição, o festival procura aproximar o público aos processos criativos em dança contemporânea, fomentando a formação e a experimentação artística através das oficinas oferecidas e promove o diálogo entre espectadores, artistas e pesquisadores nas distintas atividades programadas.
Em 2011, pela primeira vez no Brasil, a artista húngara radicada em Berlim, Eszter Salamon apresentou “Dance for Nothing”, solo que dialoga com a obra “Lecture of Nothing” de John Cage.
O coreógrafo marroquino Taoufiq Izeddiou voltou ao festival com “Aataba” e com o solo “Aaleef”, apresentado no festival em 2008 como um work in progress. Paz Rojo de Madri e Cristian Duarte de São Paulo, que juntos participaram da 3ª edição do festival, apresentaram seus mais recentes trabalhos: “Lo que sea moviéndose así” (Rojo) e “The Hot One Hundred Choreographers” (Duarte). O sueco Jefta van Dinther mostrarou “Kneeding”, trabalho criado em parceria com Fredéric Gies e Thiago Granato, cujo processo foi apresentado no estúdio Nave em São Paulo, em 2010. O retorno destes instigantes artistas nos permitiu avaliar a continuidade das propostas e assimilar os trabalhos recentes ou revisitar os anteriores, a partir de uma abordagem processual que atualizou nosso olhar sobre as obras em questão.
Investindo também na difusão da produção brasileira, o festival convidou Michelle Moura, integrante do coletivo Couve-flor de Curitiba, que apresentarou “Cavalo”, e Marcelo Gabriel de Belo Horizonte, que veio com “Quando o sol brilha mais forte a sombra é mais escura”. E, completando a programação foram incluídos dois importantes solos que mereceram ser revistos: “Cornélia Boom”, solo protagonizado por Sheila Arêas e dirigido por Cristian Duarte; e “Noiva Despedaçada” de Ricardo Iazzetta.
Além das apresentações, foram oferecidas duas palestras: “Corpo sem Orgãos” com o filósofo e criador da Escola Nômade de Filosofia Luiz Fuganti, e “Corpomídia” com a dramaturgista Rosa Hercoles, coordenadora do Curso Comunicação das Artes do Corpo PUC-SP.
Ampliando as ações de formação artística e de formação de público, em 2011 foi inaugurado o Projeto de Residências Artísticas (P.A.R.), recebendo três jovens artistas de Montevidéu para uma imersão na programação do festival. Em contrapartida, a fim de estreitar os vínculos com o público e os artistas locais, as residentes apresentaram o trabalho “Ud. preguntará por qué bailamos”, seguido de uma conversa com Rosa Hercoles. Completando a iniciativa, as oficinas de criação desta edição, destinadas à partilha dos procedimentos e as questões que orientam as práticas dos artistas convidados, foram conduzidas por Salamon, Izeddiou, Moura e Dinther.
Com estas ações, o Festival Contemporâneo de Dança quer sempre aproximar o público à diversidade de propostas artísticas desenvolvidas nos últimos anos no âmbito nacional e internacional, apostando no diálogo e na produção de conhecimento compartilhado. Assim, priorizando os interesses, as necessidades, as falas e os formatos de exposição escolhidos pelos artistas convidados e disponibilizando informações sobre seus processos artísticos, procuramos refletir juntos sobre os rumos e os desafios da dança contemporânea.
Em 2008, o Festival recebeu o prêmio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) para produção, difusão e formação em dança.
A quarta edição do festival foi realizada no Centro de Dança Umberto da Silva, na Galeria Olido, e no teatro do Centro Cultural Banco do Brasil. Todas as atividades do festival foram gratuitas.
Em 2011 o Festival contou com o apoio do Centro Cultural Banco do Brasil, Caixa Cultural, da Secretaria Municipal de Cultura, da Secretaria de Estado da Cultura, do Centro Cultural da Espanha, do Consulado Geral da Holanda, do Instituto Goethe e do jornal Folha de São Paulo.